Première Vision e Milano Unica: preços e tendências
Há duas semanas aconteceu a feira textil Milano Unica e semana passada foi a vez da Première Vision, ambas trazendo novidades e materiais para a temporada outono/inverno 2011-12. Enquanto o mercado textil italiano celebra um aumento nas vendas, os profissionais que participaram da Première Vision estão preocupados com o futuro da indústria textil européia.
Tanto na Milano Unica quanto na Première Vision só se falava sobre o possível colapso da indústria e as razões dadas são as seguintes:
- aumento significativo das matérias-primas: o algodão subiu uma média de 45%, a seda subiu por volta de 30% nos últimos 18 meses e a lã subiu 40% no último ano;
- a capacidade financeira da China de comprar matérias-primas (e, claro, criar aumentos nos preços e diminuir a oferta internacional);
- quedas nas colheitas mundiais – as chuvas impactaram fortemente as colheitas na Índia e no Paquistão;
- as restrições nas exportações impostas pelos governos dos países produtores de matérias-primas, com a intenção de mantê-las para o mercado interno e pressionando o preço no mercado externo;
- aumento drástico do número de consumidores dado o crescimento da economia mundial nos últimos 20 anos.
O que as pessoas esquecem é que os maiores produtores de matérias-primas texteis são países em desenvolvimento como China, Índia, Brasil, Paquistão, entre outros. E esses mesmos países tem populações enormes e com poder aquisitivo maior, se comparado a 20 anos atrás. Dessa forma a produção interna desses países cada vez mais é absorvida pela demanda interna. Outro grande problema deriva do aumento dos preços das matérias-primas. Com preços mais caros e num clima econômico atual desfavorável, grandes empresas não sabem se repassam o aumento dos custos para seus consumidores ou se terão que “engolir” esse aumento.
Os resultados desse novo ambiente econômico se mostraram nas feiras através de inovações em tecidos, que vão desde a misturas de fios mais baratos até gramaturas menores para tentar baixar os preços. Se por um lado inovações são sempre bem-vindas, por outro lado gramaturas menores envolvem uma certa perda na qualidade dos tecidos. E as misturas também tem seu efeito dominó: se todos passam a usar um tecido que mescla algodão com poliéster, o preço do poliéster tenderá a subir. Ou seja, solução imediata não há e a preocupação de vendedores e compradores da Première Vision e da Milano Unica são muito bem fundadas.
Numa nota mais agradável, as tendências expostas na Première Vision e Milano Unica mostram que, apesar do medo envolvido com a parte econômica e financeira da indústria, as cores voltam a ter mais peso no inverno. Infelizmente não posso colocar aqui todas as coisas que vi mas dá pra dizer que as cores definitivamente são mais alegrinhas!
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